IMAGENS DE CONTROLE E COLONIALISMO DIGITAL: AS REPRESENTAÇÕES DE MULHERES NEGRAS NAS IMAGENS GERADAS PELO CHATGPT

  • Autor
  • Lindiwe Sophia Oliveira Fideles
  • Co-autores
  • Rodrigo Moreno Marques
  • Resumo
  • Mulheres negras, desde a escravização, estão submetidas às imagens de controle criadas por grupos hegemônicos, refletindo e reproduzindo a dominação colonial. A objetificação e subalternização de mulheres negras, enquanto práticas do colonialismo histórico, permanecem reproduzidas no colonialismo digital (Faustino & Lippold, 2023). Nesse contexto, este resumo apresenta resultados parciais de pesquisa em andamento cujo objetivo é identificar os vieses racistas e sexistas nas imagens geradas pelo ChatGPT. A pesquisa aproxima as abordagens de duas autoras feministas negras, Patricia Hill Collins (2019) e Lélia Gonzalez (1984), para analisar como as representações de “domésticas” e “mulatas” refletem imagens historicamente construídas sobre mulheres negras. A pesquisa, de tipo descritiva e com abordagem qualitativa, analisa as imagens geradas a partir dos prompts “trabalho doméstico no Brasil” e “carnaval no Brasil”.

    A pesquisa justifica-se pela urgência de avançarmos de uma concepção tecnicista para uma concepção em que a própria raça seja entendida como tecnologia de poder que foi concebida para estratificar as injustiças experienciadas pelos grupos racializados (Benjamin, 2019). Desde o período do colonialismo histórico, a colonialidade se expressa, sobretudo, numa exploração humana pautada pela ideia de raça, em que os não brancos são considerados ontologicamente diferentes, desumanizados e inferiores.

    Nesse contexto, mulheres negras ocupam uma condição específica de marginalização. Collins (2019) identifica as imagens estereotipadas criadas sobre a condição de mulheres negras como imagens de controle que são parte de uma ideologia generalizada de dominação. No caso dos Estados Unidos, a figura da mammy, serviçal fiel e obediente à família branca, confinada aos serviços domésticos e assexuada, se contrasta com a imagem da jezebel que atribui às mulheres negras o lugar de sexualmente agressivas. No Brasil, as imagens de mulheres negras são colocadas em contradição, ora no cotidiano como empregadas domésticas, prestadoras de serviços, ora no carnaval como “mulatas", objeto de desejo sexual dos homens. Essas duas imagens, assim como da mammy e da jezebel, naturalizam o racismo e o sexismo na sociedade.

    Subordinadas à dominação do capitalismo central, grandes corporações empresariais detentoras de plataformas digitais, por meio das tecnologias de inteligência artificial generativa, aprimoram e atualizam essas violências. Sendo assim, na etapa empírica da pesquisa, solicitou-se que o ChatGPT sugerisse um prompt para “trabalho doméstico no Brasil” e para “carnaval no Brasil”. Após essa solicitação, requisitou-se que a ferramenta gerasse uma imagem de acordo com esse prompt.

    Conforme ilustrado pela Figura 1, apesar de utilizar apenas as palavras “trabalho doméstico”, sem marcadores de gênero e raça, o resultado foi a imagem de uma mulher negra, reforçando estereótipos da mulher negra como empregada doméstica. O prompt “carnaval no Brasil”, que também não especificava gênero e raça, resultou na imagem de uma mulher negra hipersexualizada, conforme ilustrado pela Figura 2.

    Os resultados apontam que os padrões coloniais permanecem reproduzidos nas tecnologias digitiais de inteligência artificial de última geração. Os estereótipos produzidos pelos grupos hegemônicos sobre as mulheres negras perpassam tempos, espaços e contextos e não foram superados. 

  • Palavras-chave
  • mulheres negras, imagens de controle, colonialismo digital, ChatGPT
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 8 - Estudos Críticos sobre identidade, gênero e raça
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